terça-feira, 3 de agosto de 2010

Gengibre amargo pode ajudar na cura do câncer

Este conhecimento vem sendo divulgado há alguns anos, mas está chegando a conclusões mais definitivas.
Será que já experimentaram potencializar a utilização da argila com este gengibre?

Em

http://www.d24am.com/amazonia/ciencia/gengibre-amargo-pode-ajudar-na-cura-do-cancer/1339

Gengibre amargo pode ajudar na cura do câncer

Pesquisador Carlos Cleomir, do INPA, estuda plantas com propriedades medicinais da região e vê qualidade capaz de inibir ou bloquear células cancerosas no gengibre.

Carlos Cleomir e a planta que estuda, o gengibre amargo.
Carlos Cleomir e a planta que estuda, o gengibre amargo. Foto: Divulgação/David Almeida

O composto Zerumbona, substância extraída dos rizomas do gengibre amargo (Zingiber zerumbet), pode ser uma arma poderosa na cura do câncer. Quem afirma é o pesquisador Carlos Cleomir, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Há 22 anos estudando plantas com propriedades medicinais da região, ele conseguiu obter um grau de quase 100% de pureza da Zerumbona, qualidade capaz de inibir ou bloquear células cancerosas, impedindo a proliferação do tumor maligno e conseqüentemente a invasão da doença.

Para chegar à conclusão dos efeitos benéficos do gengibre amargo sobre vários tipos de câncer, entre eles os de sangue, cólon, pele e fígado, provocado pelo do herpes, os pesquisadores do INPA tiveram que trabalhar durante dez anos, até chegarem a 99,95% de pureza da substância Zerumbona. Esses dados põem o INPA na dianteira em relação outras pesquisas realizadas na Europa e na Ásia porque, segundo Carlos Cleomir, até então o máximo que se alcançou foi 37%, um quantitativo baixo para se pensar em produção industrial.

Sem poder entrar em detalhes sobre os avanços para a produção e os muitos potenciais da substância, devido a contratos de confidencialidade entre o INPA e algumas empresas, Carlos Cleomir adianta que os resultados já podem ser confiáveis. “Nosso estudo com o gengibre amargo é pioneiro no Brasil e no mundo, não apenas no tratamento do câncer, mas também de outras enfermidades”, garante. “Mas eu não eu não posso passar essas informações porque todo esse processo está em sigilo”, acrescenta.

Um bom indicativo, segundo ele, é que muitas pessoas já estão deixando de fazer quimioterapia e radioterapia, devido ao custo alto e aos efeitos colaterais desses procedimentos, e buscando tratamentos alternativos. A vantagem da Zerumbona, diz o pesquisador, “é que não afeta as células saudáveis, vai direto às malignas”. “Como se trata de um produto natural, várias pessoas que estão utilizando a Zerumbona têm tido um resultado jamais visto com qualquer outro medicamento”, comemora o Carlos Cleomir.

Ele explica que mais de 300 pessoas estão tomando e são monitoradas pelos pesquisadores e médicos. Inclusive, não apenas os que têm câncer. “Como o gengibre amargo pode ser ingerido na alimentação, nós estamos testando com pacientes sãos, para ver seu potencial preventivo. Podemos adiantar que os resultados parciais são bastante positivos. Nos países asiáticos, onde já usam na alimentação, o índice de casos de câncer é baixo”. Mas Cleomir adverte para o risco da automedicação: “como qualquer substância, o gengibre amargo deve ser ingerido em determinada quantidade. Ninguém deve tomar sem acompanhamento devido”.

A maioria dos centros de pesquisa do Brasil já vem trabalhando com algumas espécies de gengibre da região. Porém, o gengibre amargo só é utilizado praticamente para ornamentação, sem fins medicinais. Em outros países, essa mesma espécie é usada na alimentação e na medicina tradicional, para combater vários tipos de doenças. Apesar de ser uma planta exótica (não nativa), o fato de ter sido introduzido no Brasil há séculos faz com que o gengibre amargo seja considerado parte da biodiversidade amazônica.

A família do gengibre comporta mais de 100 gêneros e 1200 espécies, mas apenas algumas foram estudadas e conhecidas pelas populações e as comunidades científicas, como é o caso do gengibre comum, conhecido na Amazônia como mangarataia. Essa espécie é muito utilizada como expectorante, para problemas estomacais e outras patologias. “A mangarataia tem vários compostos químicos e atuam na digestão, por exemplo”, diz Carlos Cleomir.

Espeança

As análises com gengibre amargo chamadas de pré-clinicas foram feitas em animais de laboratórios, com resultados animadores para várias atividades farmacológicas importantes de interesse mundial, que serão divulgados futuramente, segundo explicou Carlos Cleomir. Já a atividade citotóxica para a cura de câncer vem sendo estudada há pelo menos 50 anos, com ensaios in vitro, in vivo, em células neoplásicas de câncer, principalmente por cientistas japoneses e europeus.

Esses grupos já obtiveram o produto do gengibre amargo e também trabalham com o extrato da planta no combate a células cancerosas de vários tipos de tumores. O que se busca no INPA, de acordo com Carlos Cleomir, é aprimorar esses conhecimentos para dar maior suporte ao tratamento do câncer. “Acho que conseguimos avançar mais do que os japonses”, acredita o pesquisador. Ele cita o caso de uma pessoa que já está tomando as cápsulas do gengibre amargo.

“Essa pessoa veio me procurar porque estava desenganada pelos médicos. Apresentou melhoras desde que começou a tomar a Zerumbona. Eu tenho as fotos de como ela chegou aqui e de como está agora”, conta. Além dela, várias outras o procuram Cleomir no INPA, em busca do remédio. Foi o que aconteceu com uma pessoa, depois que assistiu a uma reportagem de TV sobre as propriedades do gengibre amargo.

“O pai dela ia fazer a última sessão de quimioterapia, mas a expectativa era de que ele não iria resistir, pois estava muito mal. Reuniram a família e tomaram a decisão de não fazer mais a quimioterapia. Ela me ligou pedindo as cápsulas para o tratamento de seu pai, ele usou por 15 dias e, depois desse tempo, ele próprio já me ligou agradecendo por estar bem melhor”, relata Carlos Cleomir.

A resposta a essas manifestações é sempre a mesma: “Eu digo para as pessoas agradecerem à ciência, à instituição, e ao poder público, que nos dá, nesse caso, a oportunidade de mostrar o quanto à pesquisa pode fazer pela sociedade”, diz o pesquisador. Segundo ele, existem vários estudos com essa substancia, em andamento, inclusive em estudos mais recentes, marcam o composto Zerumbona até para o tratamento da AIDS.

Sobre o pesquisador

Carlos Cleomir tem 55 anos é o coordenador de Pesquisas em Produtos Naturais do INPA. Para alguém que começou há 37 anos como serviços gerais na instituição, chegar aonde chegou, como ele mesmo conta, é muita determinação. Biólogo, fez mestre em Biotecnologia pela UEA (Universidade do Estado do Amazonas) e doutorado em Biotecnologia pala UFAM (Universidade Federal do Amazonas). Acumula em seu currículo 22 anos de pesquisas com plantas medicinais.

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