segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A Felicidade

A felicidade vem na carícia de uma brisa,

na ondulação de uma folha outonal,

nos saltinhos de um pássaro distraído...

... a felicidade vem de dentro do coração

sem precisar de motivo algum

a não ser a descontração de uma lembrança de Si mesma:

chega sem darmos conta

e quando nos apercebemos, já chegou...


A felicidade é um alívio que pousa,

uma ternura que invade o coração

e desabrocha vinda não se sabe de onde.


Mas... como é que ela se manifesta?

Tem uma maneira própria de ser?


Será preciso sorrir?

Será necessário abraçar?

Será indispensável manifestá-la?

Poderá a felicidade ser algo não manifestado?


Pondero...


Na ponderação cessa a felicidade

e fica só a ponderação

e ocupação

e pré-ocupação

e pós-ocupação.


Nisto, cessando a felicidade,

descubro mais uma vez que ela é libertação,

que é naturalidade,

espontaneidade,

despreocupação,

desapego,

plena contemplação,

que é o pleno desfruto do que me rodeia

sem precisar de ser isto, ou aquilo.


Porém, quando, em minha felicidade, descubro os que sofrem...

... como posso ser feliz se não fizer alguma coisa,

de alguma forma,

de alguma maneira?


Felicidade é partilha do que se tem

e do que se não tem.


Ensina-me, Deus, a ser feliz,

a deixar de estar fechado em mim mesmo,

resumido à minha vida

e ensina-me a ser feliz

e a partilhar a felicidade neste mundo de carências...

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