segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Homeostasia: a Força da Natureza no Equilíbrio Fisiológico

Este interessantíssimo texto que se segue - criado pelo Prof. Jean Alves Cabral Macedo em http://professorjean.com/artigos/naturologia/homeostasia - trata da grande lacuna que existe entre a Medicina Alopática e as Terapias Naturais, ou Naturologia:

a primeira concentra-se na doença e a divisão do corpo em várias partes;

a segunda contempla o equilíbrio fisiológico da saúde de forma holística, incluindo o corpo, a psique, o espírito, a família, o trabalho, a vida social e a religião como partes fundamentais e inseparáveis para manter e recuperar a saúde do indivíduo.

Nasce, assim, um novo Paradigma
não aceite pela comunidade médica em geral
nem pela indústria farmacêutica!!!


"Comprova Arnold Rikli, através de toda uma vida de experiência prática, a existência, no organismo, de uma força curativa natural ou “força vital’ que radica no sistema nervoso e no sangue; e ratifica o grande princípio da medicina natural: ‘quo natura vergit eo ducendum”, ou seja: ‘dirigir a natureza curativa até onde a levem suas tendências’. Cada indivíduo nasce com certa vitalidade, que difere de um para outro como o caráter e a fisionomia. Por isso jamais será possível impedir a morte nas diversas etapas da vida, que sempre será como as árvores, cujos frutos caem tanto em botão como em plena maturidade. (
Rafael Lezaeta Perez-Cotapos)[1]

O mais rudimentar conceito de fisiologia humana é o conceito do que significa Homeostasia.

Segundo Arthur Guyton, “um dos objetivos principais de qualquer texto de fisiologia médica é explicar e enfatizar a eficácia e a beleza dos mecanismos homeostáticos do corpo, bem como discutir seu funcionamento anormal na doença”[2]

Nossa primeira responsabilidade ao ingressar no universo da Naturologia Clínica é deixar bem claro o que significa este conceito. E para fazê-lo buscaremos alguns comentários de grandes mestres da Fisiologia e da Naturologia Clínica. Serão suficientes três citações bem específicas:

A palavra homeostasia é usada pelos fisiologistas para significar manutenção das condições constantes, ou estáticas do meio interno. Em essência, todos os órgãos e tecidos do corpo exercem funções que ajudam a manter essas condições constantes. Por exemplo, os pulmões fornecem oxigênio para o líquido extracelular para repor o que está sendo consumido pelas células; os rins mantêm constantes as concentrações iônicas e o sistema gastrintestinal fornece nutrientes. Grande parte deste texto está relacionado ao modo como cada órgão ou tecido contribui para a homeostasia. Para iniciar esta discussão, serão descritos, resumidamente, os diferentes sistemas funcionais do corpo e seus mecanismos homeostáticos; em seguida, será apresentada a teoria básica dos sistemas de controle que atuam harmoniosamente entre si.[3]

Este texto é interessantíssimo porque o Dr. Guyton, ao iniciar a sua obra em pauta, declara que as suas mais de 800 páginas tem um propósito claramente definido: justificar a lógica natural da homeostasia!

Neste primeiro texto de Guyton temos já definidas três questões sobre Homeostasia:

(1) Homeostasia é uma palavra que representa e significa a manutenção das condições constantes que nosso organismo possui naturalmente.

(2) Homeostasia é a grande disciplina que envolve todo estudo de fisiologia médica. Não há estudo de fisiologia sem o foco principal que é a própria Homeostasia.

(3) Homeostasia envolve um princípio de união, unificação e harmonia entre todas as partes que estão em nosso organismo, sem qualquer possibilidade de que uma parte atue sem estar conectada com as demais.

Passemos ao segundo texto que define satisfatoriamente Homeostasia!

A tendência natural do corpo é a auto-regulação ou homeostasia. A Naturopatia funciona como um catalisador na limpeza e desintoxicação do corpo para encorajar a auto-reparação e auto-cura. Por exemplo, uma febre aumentará o nível de metabolização e acelerará a circulação sangüínea e da linfa, o que determinará que as toxinas sejam eliminadas mais rapidamente. A febre também mata as bactérias e os vírus que normalmente se desenvolvem na temperatura normal do corpo. (…) Na realidade, os medicamentos prescritos por terapeutas alopáticos interferem com o processo da cura, chegando muitas vezes a transformar uma doença aguda em crônica. Esses remédios são evitados pelos Naturopatas.[4]

Este médico e fisiologista inglês atende à Coroa Inglesa há muitos anos e é, obviamente, membro da Academia Real de Medicina da Inglaterra. Ele frisa outros dois pontos cruciais da compreensão do que é Homeostasia, além de repetir os que Guyton já identificou:

(4) Homeostasia é igual a “auto-regulação”, igual a “auto-reparação”, igual a “auto-cura”, igual ao mecanismo de “desintoxicação e reconstrução” natural do próprio organismo humano.

(5) Homeostasia não pode encontrar na teoria medicamentosa um bom aliado, porque os produtos sintéticos e super concentrados dos laboratórios podem tornar a intoxicação muito mais grave do que originalmente em muitos casos.

O que nos causa admiração é que esta lógica simples e óbvia não possa ser facilmente identificável pelo Colégio Médico Alopático em toda parte! Ficamos atônitos em verificar que uma pessoa passa cinco anos da sua vida num curso de estudos onde milhares de páginas são acessadas e ao cabo de toda uma extensa formação, esta lógica simplória não seja facilmente detectável, mas, pelo contrário, toda esta simples e original explanação seja reduzida a uma espécie de “conto de fadas” ou “misticismo” e tudo se resuma a uma questão de micróbio-droga.

Sim, no que diz ao desdém que a Homeostasia recebe da dita moderna ciência, podemos verificar sua força sempre que um Naturista pretende defender suas bases essenciais. Como este profissional não é forjado numa escola cartesiana, mas holística, tudo é chamado de misticismo, curandeirismo e até mesmo de charlatanismo.

Mas, aqui oportunizamos um momento muito forte!

Se somos pejorativamente discriminados por estes epítetos, ficamos felizes, porque teremos a dadivosa companhia de Arthur Guyton e de Tanvir Jamil. E ainda mais uma pessoa da Ciência Fisiológica nos fará companhia com este último texto esclarecedor:

O organismo vivo depende de um grande número de processos regulatórios para manter constantes as condições de seu meio interno, o milieu intérieur de Claude Bernard. Este meio interno, no qual estão imersas todas as células do organismo, corresponde no mamífero ao líquido extracelular, basicamente uma solução de cloreto de sódio com pequenas concentrações de outros íons, como potássio e cálcio (…). uma série de propriedades deste fluido, incluindo pressão, volume, osmolaridade, pH, concentrações iônicas e de outros componentes, deve ser mantida dentro de faixas estreitas de variação para permitir que as células sobrevivam em condições normais de funcionamento. Estas propriedades, em seu conjunto, são denominadas de homeostase e definem as condições normais de vida de um determinado organismo. Os processos encarregados de manter esta homeostase são mecanismos de regulação, e seu estudo constitui um dos principais objetivos da Fisiologia. (…) Um processo regulatório pode ser representado por um mecanismo básico denominado sistema, que consiste em um grupo de componentes interconectados que interagem, sistema este que apresenta para uma dada entrada uma saída previsível. (…) É difícil, ou mesmo impossível, atingir-se o ideal de conhecer com detalhes todos os componentes e mecanismos de interação dos processos em um sistema, para deduzir daí suas propriedades. Por isso, é muito utilizada, especialmente entre processos biológicos, a técnica empírica de analisar um dado sistema observando as relações entre sua entrada e saída.[5]

Aqui temos um oportuno esclarecimento da Catedrática de Fisiologia da Universidade de São Paulo, Dra. Margarida de Mello Aires. E ela acrescenta à nossa lista de esclarecimentos mais dois pontos cruciais para um completo entendimento acerca do que é Homeostasia.

(6) As nossas células estão mergulhadas em uma solução líquido-gelatinosa que denominamos “líquido extracelular” ou “meio interno” e, para que tudo esteja dentro da mais positiva normalidade funcional, deve acontecer um “grande número de processos regulatórios para manter constantes as condições da vida celular” – estes processos naturais são o que denominamos Homeostasia.

(7) A quantidade de situações e esquemas de auto-regulação é tão imensa que nenhum ser humano poderá jamais conhecer todos os mecanismos de desenvolvimento envolvidos. A complexidade é tão gigantesca dentro de nosso organismo que não há como conhecer tudo. Por esta razão, declara a douta catedrática brasileira, “é muito utilizada, especialmente entre processos biológicos, a técnica empírica de analisar um dado sistema observando as relações entre sua entrada e saída.

A homeostasia envolve, como temos visto, a habilidade de nosso organismo atuar em defesa, desintoxicação, revitalização e restauração total e plena de si próprio.

Mas, entremeio a tantas complexidades que lhe caracterizam a experiência vital, podemos conhecer as suas bases num mecanismo de entradas e saídas. Esta é a deixa para o próximo conceito essencial da clínica naturológica.


[1] COTAPOS, Rafael Lezaeta Perez. A Saúde Pela Natureza, Editora Hemus, São Paulo, 1998, p. 187.

[2] GUYTON, Arthur C. Tratado de Fisiologia Médica. Editora Guanabara Koogan, Rio Janeiro, 1991, p. prefácio.

[3] GUYTON, Arthur C. Tratado de Fisiologia Médica. Editora Guanabara Koogan, Rio Janeiro, 1991, p. 3.

[4] JAMIL, Tanvir. Medicina Complementar. Editora Manole, São Paulo, 2001, p. 80.

[5] AIRES, Margarida de Mello. Fisiologia. Editora Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, RJ. 1991, p. 7.


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