quarta-feira, 22 de junho de 2011

Brasil no Mesmo Caminho dos E.U.A. e da Europa?

Quem estuda economia sabe que existe muito mais dinheiro do que ouro (base de valorização do dinheiro). Ou seja, cerca de 90% do dinheiro que circula, verdadeiramente, não existe com valor real! E isto acontece devido ao sistema de crédito!

A crise que estalou nos E.U.A. - e que agora está a levar a Europa para um caos social sem precedentes - deve-se, essencialmente, a esta razão! No entanto, culparam o mercado imobiliário. Porquê? Porque o mercado imobiliário é o primeiro mercado a apresentar inadimplências (falta de pagamento por parte de quem pede os créditos) devido aos empréstimos mais elevados. Depois fizeram umas cabeças rolar dentro dos sistemas financeiros de crédito e uns bancos faliram, uma vez que tem sempre de haver bodes expiatórios.

O sistema de crédito cria uma bolha de ar sem consistência na economia dos países uma vez que gera dinheiro que não tem ouro por base... e isto está a acontecer, significativamente, há cerca de dois séculos.

Na revista Exame desta semana o alerta já está a ser dado para o Brasil. O país é um dos melhores territórios para se investir nos dias de hoje e para se viver. No entanto, o tempo das vacas gordas durará, no máximo, uns 10 anos. Acredito que em cerca de 5 anos já se começará a fazer sentir os reflexos de uma crise idêntica à dos E.U.A. e da Europa. Em 10 anos a crise terá se generalizado a todo o mundo.om

Não sou eu que adivinho: é pura matemática e os banqueiros internacionais sabem disto. Afinal, faz tudo parte do plano para criar um só sistema bancário no mundo, com uma mesma moeda internacional, debaixo de um controle tecnológico absoluto sobre cada cidadão, animal e mercadoria.

3 comentários:

Anônimo disse...

Este post está repleto de inverdades:

O ouro não é a base de valorização do dinheiro. Já à muitos anos que não existe qualquer paridade entre nenhuma moeda de reserva e as reservas de ouro. Em tempos esse foi o sistema (conhecido como gold standard), hoje em dia já não é. Aquilo que dá valor ao dinheiro é um misto da economia suportada por esse dinheiro e a confiança do mercado de capitais. E nada disto tem a ver com crédito (embora o influencie).

A crise que estalou nos EUA não tem nada a ver com a crise europeia (embora possa ser vista como uma causa). Na verdade existem duas crises: a crise bancária (que resultou da bolha imobiliária), e a crise das dívidas soberanas. Quando as pessoas deixaram de pagar as suas hipotecas e o valor das casas baixou abruptamente (consequência da bolha imobiliária), os bancos ficaram sem dinheiro para emprestar à economia. Os países europeus (e não só) acorreram a ajudar esses bancos em dificuldades, emitindo para isso dívida soberana. Como estes países já estavam muito endividados e o mercado de capitais perdeu a confiança na generalidade dos seus operadores, estes países só conseguiram vender a sua dívida a juros exorbitantes. Estes juros vão por sua vez comer o crescimento económico destes países, tornando mais difícil a estes países pagarem o que pediram emprestado. Isto por sua vez faz com que seja mais difícil os países arranjarem dinheiro para se financiar a si e à sua economia. É este fenómeno que é a crise da dívida soberana. Apesar de despoletado pela crise bancária americana, a sua origem é outra. Tem origem no descontrolo das finanças públicas de diversos países e na estagnação económica de boa parte da Europa (e quer o descontrolo quer a estagnação têm causas muito diversas e complexas).

E não tem de ter medo da criação de uma moeda mundial. Uma das causas que são faladas para a crise europeia é precisamente a existência de uma moeda comum aos países europeus (o euro). Depois desta trapalhada, ninguém quererá ouvir falar numa moeda global durante muito tempo.

E já agora, a economia não é uma ciência exacta como a matemática. A economia está mais perto da astrologia e da vidência que da matemática. Não deixe que as equações, os gráficos e o ar de respeitabilidade o enganem, a economia é a banha da cobra. É um tópico fascinante, mas não deixa de ser a banha da cobra.

Daniel Simões disse...

Bem, parece que fui encontrado por um anónimo do contra.

Peço-lhe, por favor, que estude as informações que são ensinadas no video "Money Masters": é um dos meios rápidos para aprender algumas coisasinhas... mas tem mais.

Bem haja!

Anônimo disse...

Se quer aprender coisas a sério, tem de ler. Os vídeos (por limitação do seu formato) dão uma ideia muito básica dos assuntos. Aprender a sério é só nos livros, os vídeos só lhe dão uma visão incompleta (e frequentemente altamente parcial) de um problema que é extremamente complexo. Não se esqueça também que existem pessoas que passam décadas a estudar estes assuntos. Não pode esperar que o conhecimento que se adquire em décadas de trabalho possa ser condensado em vídeos de 2-3 horas.

O vídeo em questão fala do sistema bancário fraccionado, que é o sistema bancário utilizado em todo o mundo. Depois tenta fazer uma série de pontes infundadas com teorias da conspiração sobre o domínio mundial e a supremacia do poder económico, embora a realidade contradiga estes devaneios.

O Money Masters fala do sistema fraccionário como se fosse um grande segredo, mas estas regras são totalmente transparentes e quem quer que estude o sistema bancário sabe-as. Não há segredo algum. De qualquer das maneiras, este sistema não tem nada a ver com o padrão-ouro (o gold standard), nem com a crise imobiliária americana ou com a crise das dívidas soberanas europeias. Mesmo sem sistema fraccionário estas crises existiriam e teriam a mesmíssima gravidade que actualmente têm. Os principais riscos associados ao sistema fraccionário são as consequências mais graves em caso de corridas aos bancos (o que não aconteceu em nenhuma das crises) e maiores pressões inflacionárias (o que não aconteceu em nenhuma das crises, pelo contrário, na crise imobiliária o problema é a súbita deflação do mercado imóvel).

E já agora, o sistema fraccionário não incentiva a acumulação de riqueza nas mãos de alguns. Antes pelo contrário. Ao aumentar as pressões inflacionárias, está a penalizar a acumulação de riqueza e a incentivar o gasto. Este é um dos motivos porque se usa o sistema fraccionário em todo o mundo: é mais fácil incentivar o dinheiro a circular pela economia (o que gera crescimento económico, emprego e enriquecimento).

O vídeo também pinta os governadores dos bancos centrais como sendo demónios com poder ilimitado que não respondem perante ninguém. Isto pura e simplesmente não corresponde à realidade. A maioria dos governadores dos bancos centrais são nomeados por órgãos soberanos (eleitos democraticamente nos países democráticos). No caso do Banco de Portugal, o governador é nomeado pelo Governo da República, sob proposta do Ministro da Finanças. Acresce que a actuação dos bancos centrais de todo o mundo está subordinada em diversos domínios aos governos dos respectivos países e a diversos acordos internacionais.

Eu creio que grande parte destas confusões advêm de o público em geral não perceber muito bem o que é um banco central, nem perceber como é que funciona e para que serve. Ao contrário do que o nome indica, o banco central não é nenhum banco. É uma entidade reguladora. Regula duas áreas distintas: a actividade bancária (e do sistema financeiro em geral, mas os bancos são os mais regulados) e a disponibilidade e estabilidade da moeda nacional. Faz isso com recurso a diversos mecanismos que a lei pôs à sua disposição, como por exemplo: o poder de estabelecer os mais diversos rácios aos bancos privados (na regulação bancária), a alteração das taxas de juro de referência, alteração das taxas de câmbio, aquisição/venda de reservas de moeda estrangeira (no caso regulação monetária), etc.