quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O Choro do Chefe Índio

O Cacique Raoni chora ao saber que Dilma liberou o inicio das construções de Belo Monte. Belo Monte seria maior que o Canal do Panamá, inundando pelo menos 400.000 hectares de floresta, expulsando 40.000 indígenas e populações locais e destruindo o habitat precioso de inúmeras espécies. Tudo isto para criar energia que poderia ser facilmente gerada com maiores investimentos em eficiência energética.
Palmas, para os que votaram… e jogaram o voto na mão de gente oportunista, e sem escrúpulos!!

12 comentários:

Anônimo disse...

Não, a energia que a barragem produzirá não poderia ser facilmente gerada por outras fontes. A barragem de Belo Monte terá uma potência instalada de 11 GW. Isto é mais que TODA A POTÊNCIA RENOVÁVEL INSTALADA EM PORTUGAL (cerca de 8 GW). Uma única barragem no Brasil irá produzir tanto como TODOS os geradores renováveis em Portugal. Esta única barragem irá produzir tanta energia como TODOS OS REACTORES NUCLEARES do Reino Unido (são 18 reactores com um total de 10 GW). Com potência de 11 GW, Belo Monte será a 3ª maior barragem DO MUNDO (em relação à produção de energia eléctrica).

Sim o impacto ambiental é significativo, sim milhares de pessoas terão de ser deslocadas, mas a energia produzida por Belo Monte não pode ser facilmente substituída. Os números não mentem.

Daniel Simões disse...

O cavalheiro anónimo tem toda a razão: a energia que ela irá produzir é imensa... e será, em sua maior parte, direccionada para o mortificante estilo de vida que pessoas como senhor defendem e vivem.

Anônimo disse...

Vamos por as coisas de outra maneira:

O cultivo de plantas (biomassa) para produção eléctrica é uma alternativa renovável para a produção de energia eléctrica (embora, ao contrário da hídrica, não seja uma tecnologia limpa pois emite dióxido de carbono).

Para produzir 1 MW de energia eléctrica a partir de biomassa é preciso uma área de cultivo de qualquer coisa como 400 hectares. Para produzir o equivalente a Belo Monte, seriam precisos 11 000 MW ou 4 400 000 hectares. Belo Monte só irá destruir 400 000 hectares de solo, ou seja 11 vezes menos do que a alternativa a biomassa.

fonte:
http://bioenergy.ornl.gov/faqs/index.html#eco2

Anônimo disse...

Só uma pequena correcção:

São precisos 400 hectares para alimentar de forma sustentável uma central a biomassa com potência instalada de 1 MW ao longo de todo um ano. Ao contrário do que a minha mensagem anterior sugere, MW é uma unidade de potência e não de energia.

Daniel Simões disse...

Energia eólica e solar não exigem desvastação da Natureza e elas só ainda são mais caras devido ao pouco investimento nas mesmas. Quando, como o cavalheiro, defendemos processos tão destrutivos - tanto para a Natureza, como para expressões culturais humanas - como a Belo Monte, talvez esteja na hora de rever os nossos valores pessoais.

Anônimo disse...

A energia eólica é sem dúvida uma parte importante do mix energético de qualquer país de hoje em dia, e a solar será indubitavelmente parte importante do mix no futuro, quando a tecnologia tiver melhorado substancialmente.

Mas eu agora pergunto, e o que faz quando não houver vento? Ou durante a noite?

A rede eléctrica é relativamente frágil. Se não existir produção suficiente para satisfazer TODO o consumo, NINGUÉM tem energia (um fenómeno conhecido por brownout).

Anônimo disse...

Recado ao dono do primeiro comentário: você acha que a energia que for, o dinheiro que for vale destruir uma cultura secular, o lar deles, e fora o fato de destruir a mata que tanto demorou para estar como está?....Seu idiota, você faz parte os sem escrúpulos descritos no texto, queria ver se você fosse o índio que que vai ver seu lar e família ser prejudicada..ah..esqueci, você não tem remorso, é um inescrupuloso..imbecil...a energia renovável não rende tanto por conta da falta de investimento em relação às outras fontes.
Pense melhor na vida alheia e no meio ambiente, por que se você não notou, você também mora no planeta terra.

Anônimo disse...

e mais algo (sou o responsável do recado anterior),
não existem só vento e Sol para gerar energia, deve ser por essa ignorância de vocês que estamos assim, e certamente se houver investimento é óbvio que energias sustentáveis vão ter potencial muito maior. E veja bem, vocês nem pensaram na vida de MAIS DE 40 000 PESSOAS... Meu Deus, quem são vocês?...Quer saber? Tenho vergonha de ser fazer parte da mesma espécia que vocês.

Parabéns Daniel Simões.

Anônimo disse...

Caro anónimo,

Tente por as coisas em perspectiva e ser um pouco mais racional na sua análise.

Para extrair carvão (um outro produto energético a partir do qual se produz cerca de 40% da electricidade do mundo), morreram cerca de 50000 pessoas em cada ano da década de 50. Nos dia de hoje, dado os avanços da tecnologia mineira e nas regras de segurança este número é próximo das 6000-10000 mortes anuais. Estamos a falar de pessoas que MORRERAM. Não estamos a falar de pessoas que foram deslocadas. O ponto a que quero chegar é que as alternativas à construção da barragem também têm custos humanos, por isso tem de ter alguma perspectiva ao olhar para o número de deslocados.

Não se esqueça que os índios que lamentavelmente terão de ser deslocados com a barragem, não serão deixados ao abandono. O governo brasileiro irá seguramente arranjar-lhes casas e indemnizações. Isso só não acontece nos países de 3º mundo, onde não incluo o Brasil.

Ninguém tem alguma espécie de prazer sádico ao retirar as pessoas das suas casas. Ninguém gosta de o fazer. Mas estes (e outros) assuntos devem ser ponderados com a razão e não com a emoção.

fonte:
http://www.world-nuclear.org/info/inf06app.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Electricity_generation

Anônimo disse...

ok(sou responsável pelos recados aos quais você respondeu) ... Percebi que você é extremamente racional, sim, e perdão pela grosseria no comentário anterior, mas não pense você que eu sou do tipo que coloca a emoção acima da razão, não, eu apenas analiso a situação e vejo o que melhor se encaixa, e considero a emoção parte vital da essência do ser, e pelo amor de Deus, não me julgue mau por isso, é que lamento quando as pessoas se segam por achar que a razão sempre prevalecerá, ou que dão muito mais atenção ao predomínio da razão. E não me questiono apenas pelos índios que serão deslocados(e provavelmente não receberão a atenção que você pensa que vão ter), mas me questiono principalmente por essa falta de consideração que o ser humano tem em relação ao próximo, claro que lamento pelas mortes dos trabalhadores que você falou que morreram, e lamento até mais por eles,pois é justamente isso, você acha que o pessoal lá de cima da a devida atenção pelo fato de que eles perderam a vida?... Acho que não, estão só preocupados no dinheiro que que vão ganhar....É isso que lamento....das atitudes do homem em si e infelizmente é algo que talvez só mude quando estivermos à beira do "abismo".
Porém não adianta falar e falar, pois essa discussão dificilmente levará algo, já que nem estamos nos vendo, mas lamento essa estagnação que o homem ficou, pois se fosse investido o capital preciso, os sistemas limpos de obtenção de energia teriam um maior potencial (e você não pode me contestar nisso), e quanto maior quanto o investimento, claro que com maio dificuldade, mas ai é que se faz a diferença...não pare na evolução de seu ser, use a razão, sim, mas não deixe que ela te cegue, até por que você não falou da questão ambiental, e acho que você sabe, ja que é tão racional e metódico, que dependemos extremamente da natureza, até para dar um sentido ao viver e tudo que demorou bilhões de anos para se formar, até por que, temos que nos lembrar que somos também animais, e deveríamos fazer parte da natureza, e não ficar nessa de brincar de Deus.

Anônimo disse...

(eu de novo)
Claro que há as pessoas de exceção, não estou generalizando, apenas analisando a infelizmente maioria.

Anônimo disse...

Excelso anónimo,

Já falei na questão ambiental e nas questões tecnológicas nas minhas mensagens anteriores.

Para resumir: a (grande) energia hídrica é uma energia bem mais limpa que as grandes alternativas não renováveis (carvão e gás natural), é mais segura que a nuclear, tem um impacto ambiental menor do que alternativas renováveis poluentes (biomassa), e produz muito mais energia (e de forma mais estável e controlável) que as renováveis não poluentes (solar e eólica).

Embora a solar e eólica pareçam muito apetecíveis por terem impactos ambientais baixos (a situação não é assim tão simples com o uso em grande escala destas tecnologias, podem existir problemas de erosão e disrupção de espécies de aves migratórias por exemplo), têm um grande problema de intermitência. Estas energias só produzem quando há vento ou sol. Mas nós precisamos de energia quando ela é necessária o que pode não coincidir com os períodos de sol ou vento. Não se esqueça que não existe tecnologia para armazenar energia eléctrica em larga escala. Ou seja qualquer rede eléctrica tem de ter uma forte produção com geradores controláveis (como os fósseis, a biomassa, o nuclear ou a hídrica).

As barragens têm ainda a vantagem de serem a única tecnologia conhecida para armazenar energia eléctrica em larga escala (basicamente o processo consiste em usar a energia em excesso na rede eléctrica para bombear água barragem acima). Ou seja, quanto mais energia hídrica tiver um país, mais energias renováveis intermitentes podem estar ligadas à rede, porque as barragens podem armazenar a energia que estas renováveis produzem e só a gastar quando é preciso.